18 de fevereiro de 2010 - 16:14
Deixando um pouco de lado o terreno da ficção, que tenho explorado neste precioso espaço aberto por esta revista, escrevo hoje para falar de algo que acomete, afeta e aflige sistematicamente o dia a dia de nós piauienses, brasileiros, humanos, enfim. Refiro-me a um antigo problema da humanidade, que provém da época das cavernas e que a civilização foi-se encarregando de desbastar, polir até fazê-lo chegar a níveis mais toleráveis, sem que, entretanto tenha ainda conseguido exterminá-lo.
16 de outubro de 2009 - 12:59
Júlia e eu nos tínhamos visto pela primeira vez em nossa adolescência. Numa época vibrante em que não pensávamos no dia seguinte. A vida acontecia na fácil felicidade do presente e o sonho dourado de então parecia infindável. Passamos a ser um só em alma e simplicidade, como raramente se vê na vida. Não havia manhãs em que ao menos não nos telefonávamos nem noites em que não dividíamos horas de conversas, descontração e alheamento ao mundo.
08 de outubro de 2009 - 21:35
Foi assim mesmo numa sexta-feira de via-sacra e jejum que Zé Mutenga decidiu dar a grande guinada em seu destino. Resoluto, marchava quase em desatino rumo ao primeiro bar que encontrasse. Iria por fim àquele martírio sem fim que estava vivendo havia pelo menos duas décadas. Sua vida fora até ali um marasmo, um massacre lento e silente, uma modorra interminável e era preciso dar um sentido a tudo nem que fosse para morrer sem sentir a libertação, num ato de sublimação extrema.
26 de setembro de 2009 - 14:43
Chama-se Calisto Armínio de Oliveira. Ao menos na carteira de identidade, que ele sempre carrega no bolso traseiro para lhe fazer mais volume nas nádegas, as quais ele considera murchas. Porque na boca do povo é Calista.