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Passando a língua

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O caçador de ossos

11 de julho de 2010 - 20:27

Existe o osso calcâneo, o osso compacto, o osso curto, o osso dérmico e o osso do quadril. Também existem os ossos pneumáticos, cheios de ar, que ajudam as aves a voar. Mas isso eu só vim aprender depois. Existe até o “osso de correr” ou como dizíamos na época, “o osso corredor”. Esse era o que eu mais gostava.

A primeira pessoa

10 de junho de 2010 - 11:48

No começo era eu. Só eu. Eu eu eu eu eu. Não existia nem a segunda pessoa do singular, porque eu não podia chamar Deus de "tu". Tinha que chamá-lo de "Senhor". Não existia "ele". Não existia "nós". Nem "vós". So existia eu. Eu, eu, eu, eu. Não é que eu fosse um egocêntrico. É que não havia alternativa.

Por que pesquiso sobre "discurso"?

08 de junho de 2010 - 19:10

O discurso é um tirano poderoso que, com um corpo microscópico e invisível, executa ações divinas. Consegue suprimir o medo e pôr termo à dor e despertar a alegria e intensificar a paixão. Os encantamentos inspirados pelas palavras levam ao prazer e libertam da dor. Na verdade, a força do encantamento, misturando-se com a opinião da alma, sedu-la, persuade-a e transforma-a por feitiçaria.

"Isso dói no ouvido" - O preconceito linguístico no Brasil

04 de junho de 2010 - 16:33

  

De um lado, dizemos com a boca cheia e o peito estufado que não há país como este – um verdadeiro milagre linguístico porque aqui se fala uma só língua, compreendida por todos em todos os rincões deste imenso território.

O sabor das gerais

11 de abril de 2010 - 20:55

Aeroporto de Confins      Residindo há dois meses em Belo Horizonte, em função do meu doutorado em Linguística pela UFMG, estou experimentando, pela primeira vez na vida, as regalias de poder dedicar-me inteiramente aos estudos.

Cartilhas da dominação

16 de outubro de 2009 - 12:24

“Os tiros que, pelas costas, atravessaram o coração e calaram a voz de João Pedro Teixeira a 2 de abril de 1962, num pôr-de-sol da Paraíba, estraçalharam também as cinco cartilhas que ele, analfabeto, pastor protestante, pai de onze crianças de pouca idade e presidente da Liga Camponesa de Sapé, levava para os filhos maiores aprenderem as primeiras letras com sua mulher semi-analfabeta.

Banda Dândi - "Me leva" (Derico)

13 de setembro de 2009 - 11:27

“Me leva”
(Derico)

Se lança no espaço infinito, de pé está na horizontal
Num passo, quilômetros livres, distância do bem e do mal

Descanso na paz matutina, deitado, viés vertical
Lembranças de um sonho contido, por força da vida real

Pra sorrir, pra sentir, junto a ti, me leva...

Zanzar sem morte, e sul a nos guiar
Sessão sem fim, desejos imortais

A linguagem humana

13 de setembro de 2009 - 10:25
"O homem sentiu sempre - e os poetas frequentemente cantaram - o poder fundador da linguagem, que instaura uma sociedade imaginária, anima as coisas inertes, faz ver o que ainda não existe, traz de volta o que desapareceu."
 
(Émile Benveniste, linguista francês)

Eu

13 de setembro de 2009 - 09:47

Nasci há "alguns" anos em cima do morro do mestre Abrãao, na cidade de Picos - Piauí. Desde muito cedo atuei nos movimentos sociais da minha cidade e região. Aos 6 anos, fui morar no bairro Junco, periferia da cidade e lá comecei a fazer arruaça. Fui um dos fundadores da Associação de Moradores do bairro, do Jornal Folha Picoense e da primeira rádio comunitária de Picos, a Junco FM. Trabalhei no MEB (Movimento de Educação de Base) no período de 1994 a 2000, quando, por ironia do destino, fui eleito vereador pelo PT. Em 2002 quando o partido elegeu o governador do Piauí e o presidente da república, uma mosca azul começou a me atormentar. Fiz um concurso para professor da UFPI, campus de Teresina e fui aprovado em 1º lugar. Arrumei as malas, renunciei ao mandato e me mandei. Fiz Mestrado em Letras na UFPI e hoje sou membro da União Picoense de Escritores - UPE e doutorando em Estudos da Linguagem na UFMG. Se sou feliz? bem, depende... vivo sorrindo!

P.S. Na época dessa foto, meu pai era meu cabeleireiro.

O tempo

13 de setembro de 2009 - 09:40

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

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